23 janeiro, 2008

A prateleira dos remédios

Vai longe o tempo em que, durante as férias passadas algures no Portugal profundo, assistia diariamente, atónito e revoltado, ao penoso desfile dos idosos, saídos da farmácia com um cesto de verga enfiado no braço, atafulhado com os “ remédios da Caixa”.
E se hoje trago isto à colação, é porque ouvi no noticiário matinal que o PP vai apresentar no Parlamento uma proposta relativa à venda de medicamentos em unidose, sendo certo que a iniciativa irá receber o apoio das oposições e ser rejeitada pelo resto...
Não há dúvida de que as coisas neste país estão mesmo estranhas, já que não era suposto que semelhante iniciativa partisse da direita, ainda por cima da comprimida.
Este aparente paradoxo, fez com que a minha alma ficasse parva, o que de imediato me levou a rebuscar na prateleira dos medicamentos, um remédio para as maleitas da alma.
Qual quê! A dor até aumentou quando, como de costume, não encontrei o que necessitava, mas apenas: 16 tubos semiespremidos, ou nem isso, de várias pomadas; 5 embalagens de analgésicos para as mais diversas dores; meia dúzia de xaropes contra a tosse; 3 qualidades de anti-histamínicos; vários elixires; não sei quantos placebos, etc., etc. Tudo dentro do prazo de validade.
Vá lá que não me lembro de alguma vez ter usado um dos tais cestos, certamente porque agora as farmácias dão um sacos de plástico maiores ou menores consoante a remessa.
Ah! Antes de terminar convém sublinhar que não sou coleccionador e muito menos hipocondríaco.
Imagem: Web

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2 Comentários:

Às 23 de janeiro de 2008 às 22:35 , Blogger hfm disse...

Tb ouvi agora no telejornal e julguei que não estava a ouvir bem... mudam-se os tempos... mas não se mudam os tachos.

 
Às 24 de janeiro de 2008 às 14:18 , Anonymous candida disse...

as unidoses fazem todo o sentido.

 

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